Campinas, 05 de Julho de 2.000 - Jornal Correio Popular.
O treinamento está na mira.
 

As transformações do mundo contemporâneo, da política à segurança pública, estão obrigando os órgãos governamentais e as organizações a
repensarem a maneira de tratar seus subordinados. A chegada do novo milênio
demanda maior atenção em habilidades nos recursos internos de cada ser humano.
No último dia 12 de junho, após acompanhar ao vivo pela televisão a tentativa mal sucedida da polícia carioca para salvar uma pobre refém das
mãos de um assaltante, o País inteiro ficou perplexo com tanta falta de habilidade e incapacidade de homens que deveriam ser nossos guardiões.
O que também me chamou a atenção, no entanto, foram os fatos que contextualizaram o
crime - tanto antes quanto após o ocorrido - e sobre os quais aqui reflito. Atentando aos pronunciamentos dos políticos, comunicólogos,
comentaristas, e especialistas ligados à segurança pública, já se poderia esperar críticas
veementes ao comportamento dos policiais envolvidos naquele sequestro. No entanto o que me chamou a atenção é que todos eles foram
praticamente unânimes quanto à falta de alguns fatores que proporcionaram de maneira trágica e deprimente o desfecho do episódio, com as cenas levadas ao ar em todo o mundo.
O ocorrido foi o disparo do gatilho que faltava para que os detentores do poder público
começassem a montagem de um plano de segurança nacional. É de conhecimento geral que a violência está fortemente atrelada aos problemas sociais, contudo o próprio presidente da República e outras autoridades ressaltam que os policiais não necessitam apenas de boas

 

viaturas e armas, mas sim de um plano de treinamento que lhes tornem emocionalmente mais competentes.
Fica confortável comentar fatos e criticá-los depois que ocorreram, pois não estamos associados ao contexto, entretanto, desconheço o verdadeiro treinamento a que
esses profissionais são submetidos.
Nossa sociedade, diante das grandes e aceleradas mudanças
no conceito de evolução e desenvolvimento humano, exige e privilegia pessoas com comportamentos eficazes e espírito de liderança.
Por isso temos enfocado em reuniões e treinamentos empresariais sobre a importância das instituições e organizações investirem mais no capital intelectual, ou seja, nos recursos éticos, emocionais e tecnológicos do ser humano.
Partindo-se do princípio que o
comportamento que um indivíduo oferece é o melhor que possuí numa determinada situação, o que estamos utilizando, através de treinamentos em grupos, é um
conjunto de técnicas pragmáticas capazes de ajudá-lo a criar respostas comportamentais mais adequadas preservando suas
experiências internas, desenvolvendo flexibilidade comportamentais para que amplie seus arsenais de opções e, consequentemente, obtenha mais habilidade de extrair o máximo de seus próprios recursos internos. Na verdade
uma tecnologia moderna, concentrada nos recursos internos já existentes e no "como" fazer.
Este conjunto de técnicas e
estratégias, que pesquisamos e orientamos organizações ou
instituições, foi desenvolvida em Santa Cruz, na Califórnia (EUA), por dois norte-americanos, e denominada de

 

Programação Neurolinguística (PNL) - nada mais que uma ciência descoberta na década de setenta, através da modelagem dos indivíduos que atingem a excelência em diversos segmentos relacionados na área da comunicação e do comportamento, sendo aplicados eficientemente em
qualquer interação humana.
É de conhecimento que a Federal Bureau of Investigation (FBI) e a Central Intellignecie Agency (CIA) já se privilegiaram dos benefícios
destas ferramentas, inclusive em situações de sequestro, usando a PNL aplicada à "negociação", que é um processo para estabelecimento de acordo numa situação em que estão envolvidas duas ou mais pessoas, com o objetivo de solucionar um impasse, podendo ocorrer em qualquer tipo de relacionamento. É fato que numa negociação eficiente, o controle emocional é imprescindível, pois é a base do desenvolvimento das emoções e dos sentimentos, influenciando diretamente na
qualidade das ações.
Realistas e sabedores dos problemas sociais que ora
enfrentamos, somos partidários da visão e do princípio que chegou o de desvendar e atentar aos doces mistérios que compõe a fortaleza dos recursos internos do ser humano e, com certeza, quando patrões ou governistas objetivarem transformar promessas em treinamento, teremos mais habilidades e capacidades para obtermos os
resultados almejados por nós
mesmos e pela sociedade. E para resolver problemas reais indo além do que, até agora, se resumiu a discursos e promessas.
Cássio L. Corazzari é consultor de empresas e trainer em Neurolinguística.