Campinas, 13 de Agosto de 2.000 - Jornal Correio Popular.
- Caderno Cidades -

Curso busca evitar erro em negociação.

Conceitos neurolinguísticos serão usados para que o policial tenha calma
para que ação seja bem sucedida.

Evitar um erro fatal. Esta pode ser considerada a meta que norteará o curso de Negociação Estratégica a ser aplicado pelo psicólogo Fernando Dalgalarrondo a oficiais e comandantes da Polícia Militar da região de Campinas.
Como revela o psicólogo, as linhas gerais do curso - já oferecido a cerca de 400 profissionais (principalmente empresários e médicos) de Campinas - serão adaptadas ao desenvolvimento de conceitos neurolinguísticos a partir da recriação de situações críticas presentes no cotidiano policial.
"São quadros imprevisíveis e bastante variáveis. O policial, nestas circunstâncias, precisa fazer uma leitura da comunicação não verbal, dos gestos, dos sinais, para saber quando o bandido, no caso, está cedendo", explica Dalgalarrondo.
Ele destaca que, neste tipo de

ação, manter a calma é fator determinante para os resultados da ação dos policiais.
Se ficar nervoso, o oficial pode fazer uma leitura equivocada da linguagem emitida por seu opositor, pondo, assim, tudo a perder.
"A tendência natural do homem em momentos que envolvem uma tensão muito grande, de risco iminente, é mesmo ficar nervoso, agir impulsivamente.
A inteligência emocional, a psicologia, atuam justamente no sentido de controlar isso", define o psicólogo.
Para o coronel Elzio Nagalli, o teinamento vai aperfeiçoar o trabalho dos policiais.
CONCEITOS
A Programação Neurolinguística, ponto chave do curso a ser ministrado à PM, surgiu na década de 70 e emprega, basicamente, o conhecimento sobre os mecanismos que que regem os

processos cerebrais a partir da recepção e transmissão de informações.
Em resumo: agir, reagir e controlar esta reação para atingir um propósito estabelecido. "Esta é a base de uma técnica de negociação policial em situações críticas, com vítimas potênciais", relaciona o psicólogo.
Em referência ao episódio da morte da refém após o sequestro de um ônibus, no Rio de Janeiro, em junho, Dalgalarrondo confirma que houve falta de uma leitura mais aprimorada do comporta-mento do sequestrador por parteda Polícia. "Mas é fácil falar de uma situação que já aconteceu. Devemos, sim, aprender com ela. Se os policiais envolvidos tivessem transmitido mais tranquilidade, poderia ter sido diferente", diz (Francisco Belda).