A RMC E O CAPITAL INTELECTUAL

Ao refletir sobre todo o contexto que engloba o setor empresarial da nossa região, observo que este passou por inúmeras transformações. A grande mudança, do ponto de vista produtivo, foram as definições das metas de trabalhos e dos programas de Desenvolvimento Organizacional, surgindo em seguida o movimento pela Qualidade Total.
Consequentemente, o acirramento da concorrência, a globalização, a abertura do mercado e a estabilização da moeda fizeram aparecer outro movimento arrasador que várias organizações na nossa região, influenciadas por modelos nacionais e internacionais, adotaram: a reengenharia como processo fundamental para obtenção de resultados. Ancorada em mudanças culturais e estruturais, a reestruturação tornou-se sinônimo de redução de custos. Mas boa parte deste modelo acabou se traduzindo em um retrocesso pelo qual quem pagou o preço mais caro foram os funcionários.
Agora, com a esperada implantação da RMC (Região Metropolitana de Campinas), formada por 19 municípios da região que circunda a cidade, começo a presenciar um novo movimento, no qual as ferramentas tornam-se periféricas e há atenção no capital intelectual, valorizando sobretudo o talento humano. Isso faz com que o conglomerado empresarial pense em novas, ainda que conhecidas, estratégias para alavancar crescimentos. Fica evidente um enfraquecimento das resistências, muito observada na década passada, em investir-se numa melhor capacidade de colaboradores e funcionários. Acompanhar e colocar à disposição ferramentas que facilitem o desempenho produtivo perante às profundas mudanças e o alto grau de competitividade, que ora ocorrem com uma velocidade considerável, torna-se cada vez mais fator indispensável na vida das empresas que se destacam no mercado, independentemente de seu potencial.

Os novos tempos exigem maior compreensão dos fatos e as empresas, atentas às transformações e à globalização, começam a utilizar maneiras mais eficazes no trato com seus funcionários. A própria dinâmica do mercado implica numa contínua mutação nas organizações.
Observo atentamente a evolução deste mercado desde o início da década passada, quando profissionais e empresas especializadas em consultorias e treinamentos deram inicio ao desenvolvimento de projetos e programas de aprendizagem, contribuindo de forma efetiva para ampliar o desempenho em diversas organizações da nossa região. Em 2001, foi constatado um aumento em consultas destes serviços na ordem de 32% - das quais metade foram convertidas em trabalho efetivo - e esta corrida por novos mecanismos é considerada atualmente uma realidade mensurável., pois além de maior integração em equipes, pode garantir um aumento produtivo e diminuição no nível do estresse.
Das várias experiências constatadas na nossa região, a mais marcante foi a de uma grande instituição bancária estatal, hoje privatizada, que garantiu um aumento de sua produção de vendas em 18%, melhorando a condição de atendimento junto aos seus clientes e a integração das equipes de trabalho, além de diminuir o nível de estresse.
Nunca é tarde para lembrar que a base sólida para o sucesso empresarial é a soma das qualidade individuais de cada uma das pessoas que desenvolve seu trabalho. Neste momento competitivo, essas pessoas precisam ser mais flexíveis, criativas, com idéias arrojadas, espírito sistêmico, visão prospectiva e maturidade para negociar conflitos e interesses. Indivíduos com capacidade de comunicação, espírito de equipe, percepção da relação custo-benefício, foco constante nos resultados, agilidade na adaptação à novas situações com disponibilidade e energia para um trabalho árduo.

Sei que não é fácil preencher todos estes requisitos, mas é extremamente possível lograr a grande maioria deles, principalmente reconhecendo que alguns são capacidades naturais e outros totalmente passíveis de serem aprendidos, ensaiados e colocados em ação com um alto grau de perfeição, através de programas de aprendizagem ou treinamentos.
Atentando a estes dados e correndo atrás não do prejuízo, mas de qualidade e lucros, acredito que em um curto espaço de tempo poderemos orgulharmos ainda mais de nossa região, pois as empresas, conscientes, não pagarão o preço alto pela falta de investimento no potencial humano.