Campinas, 13 de Agostol de 2.000 - Jornal Correio Popular.
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Neurolinguística é arma da PM contra o crime.
Parte da tropa da Polícia Militar (PM) da região de Campinas passa a receber um treinamento especial para atuar e negociar com criminosos em situações de risco. Usando as noções de neurolinguística, da inteligência emocional e da psicologia, a corporação quer evitar tragédias como a ocorrida em junho no Rio, quando uma professora foi morta durante o assalto a um ônibus.
- Caderno Cidades -
Sequência do sequestro no ônibus da linha 174 no Rio, em junho passado, que resultou na morte de uma passageira e revelou a operação mal-sucedida da PM: meta é reduzir os riscos.
PM de Campinas usa neurolinguística contra o crime.

Oficiais da Polícia Militar da região participarão de treinamento
para atuar e negociar em situações de risco; curso utiliza inteligência emocional.

Oficiais da Polícia Militar (PM) da região de Campinas irão receber, a partir de amanhã, treinamento especializado para atuar e negociar com criminosos em situações de risco, como as que envolvem reféns.
Para isso, policiais que ocupam postos estratégicos na corporação terão acesso a curso ministrado com base em conhecimentos de psicologia, e inteligência emocional.
O objetivo principal do projeto é dar condições para que o policial controle a tensão envolvida nesses episódios e, assim, aja de forma equilibrada na solução do impasse.
Técnicas psicológicas de negociação em casos de sequestro ou rebelião de presos, por exemplo, vêm sendo amplamente utilizadas, e com sucesso, por órgãos norte-americanos de combate ao crime, como o FBI e a CIA. Nestas situações segundo as premissas do curso, o controle emocional, o correto emprego da comunicação e a compreensão de signos não verbais emitidos pelos criminosos e rebelados são pontos fundamentais para um desfecho positivo da ação.
Segundo o comandante regional da PM, coronel Élzio Lourenço

Nagalli, o programa será direcionado, a princípio, a 35 representantes dos dez batalhões responsáveis pelo policiamento de 90 municípios da região.
"A idéia é estarmos preparando oficiais, tenentes, capitães e os comandantes das companhias para atuarem como lideranças nestas situações de limites.
Isso para que não aconteça, por exemplo, um desastre como o ônibus no Rio de Janeiro", disse referência à ação policial que culminou com a morte de uma refém, a professora Geisa Firmo Gonçalves, no último dia 12 de junho.

PARCERIA
O curso intitulado Negociação Estratégica, será aplicado pelo psicólogo Fernando Dalgalarrondo e foi oferecido gratuitamente à Polícia Militar pela empresa Actius Consultoria, Desenvolvimento e Liderança. As aulas se estenderão por quatro dias, totalizando 12 horas. O programa prevê atividades prioritariamente práticas, recriando situações vividas na ação policial.
Para o proprietário e diretor da Actius, Cássio Corazzari, a essência da iniciativa é efetivar parceria entre segmentos sociais e os órgãos
de segurança em

benefício da sociedade.
"Não vamos com isso salvar a pátria", adiantou. "Mas essa é uma forma de contribuirmos para o desenvolvimento de uma cidade melhor".
Nagalli também considera este tipo de parceria fundamental para o aprimoramento da corporação. "Temos uma carência muito grande em meios de qualificação e modernização. Ao mesmo tempo, vemos uma enorme possibilidade de, com essas parcerias, criarmos em Campinas a melhor polícia do Brasil. Nossa cidade é um grande manancial de conhecimento", ressaltou.

EXTENSÃO
A idéia é que este seja o primeiro de uma série de projetos voltados à difusão de conhecimentos técnicos que possam melhorar a atuação dos policiais na região.
Corazzari, da Actius, neste sentido diz que colocará à disposição da PM outros cursos voltados ao aperfeiçoamento dos militares, abordando temas específicos como Inteligência Emocional, Liderança e Auto-Estima.
"São pontos fundamentais do trabalho de um policial" indicou.