CORREIO POPULAR – ECONOMIA - Domingo, 27 de Setembro de 2.003.

GRAFOLOGIA – Maria Finetto – inetto@cpopular.com.br.


 


QUANDO A LETRA DESVENDA QUEM VOCÊ É

CIÊNCIA QUE REVELA AS CARACTERÍSTICAS E TRAÇOS DE PERSONALIDADE VEM SENDO CADA VEZ MAIS UTILIZADA NOS PROCESSOS SELETIVOS EM EMPRESAS

O grafólogo Carlos Mussato e Cássio Conazzari, diretor da
Actius: indicação precisa.


O seu jeito de escrever é tão ou mais importante que o currículo ou a roupa na hora de procurar emprego. É possível através da letra descobrir se você atende o perfil exigido pela vaga. O candidato faz o teste de grafologia, muito usado em agências de emprego de Campinas, a pedido das próprias empresas.
A grafologia é uma ciência e mais um recurso nos processos de seleção, recrutamento de pessoal e avaliação de performance. “ Hoje, 75% das grandes empresas usam esse teste para ajudar a selecionar pessoal. Há quatro anos eram 15%”, diz o grafólogo CARLOS ROBERTO MUSSATO, que afirma ter 20 anos de experiência na área e de pertencer a um seleto grupo dos quatro melhores profissionais do mundo.
Ele ministra cursos em Campinas e uma de suas discípulas é Sirlei Bernardes, que usou por muitos anos os testes de grafologia a pedido de empresas. “Grandes, médias e pequenas empresas utilizam este recurso. Na agência realizava no mínimo dois testes por dia”, conta ela, que deixou sexta-feira o cargo de diretora da agência de empregos Fan para tocar seu próprio negócio na área de consultoria empresarial.
Os candidatos, segundo ela, são informados sobre o teste e sobre o resultado. A metodologia da grafologia, explicam os profissionais da área, aponta as características e habilidades. As empresas não falam sobre os testes porque a ciência não é reconhecida pelo Conselho Regional de Psicologia. Curioso, já que a maioria dos grafólogos é da área de psicologia.
Lilian Cristina de Almeida é um exemplo. Ela é psicóloga e a responsável pela seleção de candidatos na agência Contec de Campinas, e usa o teste para avaliações. “A grafologia não é usada para todas as vagas, apenas para os cargos que exigem maior critério ou habilidades específicas para determinadas funções”.
Quando lê um texto de uma pessoa, MUSSATO observa 1.256 características de letras, linhas e tipos para fazer uma análise. Ele afirma que é possível definir o perfil de uma pessoa e verificar em quais áreas de atuação ela pode se adequar melhor.


INVESTIR NA CIÊNCIA PODE SER UMA BOA ALTERNATIVA

Ser um grafólogo renomado pode ser interessante e bem lucrativo. CARLOS ROBERTO MUSSATO chega a ganhar até R$ 5 mil por mês analisando a letra e o jeito de escrever das mais diversas pessoas. Ele faz laudos de avaliação e cobra por cada um meio salário mínimo – R$ 120,00. “Outro dia uma empresa me pediu 52 laudos de candidatos para a vaga de vendedor específico na área de financiamentos”, diz.
MUSSATO estima que existam atualmente cerca de 2 mil grafólogos em todo o País. Vinte deles foram formados em Campinas pela ACTIUS CONSULTORIA, DESENVOLVIMENTO E LIDERANÇA.
Ele diz que é preciso que o grafólogo dedique-se exclusivamente ao exercício e a prática da ciência para ter um bom rendimento. “Tem espaço para todo mundo. Esta ciência pode ser utilizada nos mais variados campos”, argumenta.
Este profissional pode atuar, além da orientação profissional, também na educacional, matrimonial ou antes do casamento (pode-se descobrir o perfil do casal e ver se eles se combinam e até detectar a orientação sexual), na descoberta de patologias como estados de hipocondria, depressão, alcoolismo , uso de drogas e cleptomania ou para o autoconhecimento.

NA PISTA

Outra área interessante é a da investigação policial. “A Polícia utiliza a grafologia para descobrir a veracidade das afirmações de seqüestradores e bandidos em bilhetes para as vítimas ou textos extraídos de material apreendido”, explica. Os laudos também podem ajudar a detectar estelionatos, roubos, furtos.
Uma das maiores habilidades do grafólogo é convencer as pessoas que trata-se de uma ciência e não magia, esoterismo ou então “achismo”.
“É um paradigma que precisa ser quebrado. A grafologia é uma ciência considerada em alguns círculos como uma arte, porque parte do pressuposto que quem escreve não é a mão, e sim a mente”, diz MUSSATO, também psicanalista e mestrado em administração de Recursos Humanos. (M.F.)

TESTES SÃO “INDISFARÇÁVEIS”

Depois de amargar sete meses sem emprego, Edson Santana Pertrini, foi contratado para o cargo de comprador técnico da Rivoli Tecna, empresa localizada em Salto, que pertence a um grupo italiano. Ele conseguiu a vaga depois de passar no teste de grafologia. A empresa buscava um profissional com as características apropriadas para o cargo. Pertrini diz que não sabia que as suas habilidades seriam analisadas letra por letra depois de escrever uma redação com tema livre e num papel liso, branco e sem margens.
“Já tinha ouvido falar sobre a grafologia, mas não sabia que a minha grafia teria peso tão importante assim no processo de seleção”, diz. A experiência foi válida, na sua opinião. “Achei legal, é mais uma ferramenta para a analisar o perfil profissional”.
Ele explica que, na entrevista, a pessoa pode ficar nervosa e não convencer o selecionador de todo o seu potencial. “Na grafologia, a letra aponta suas características e não têm como disfarçar”.
Pertrini faz apenas uma ressalva: “é um trabalho bastante qualificado, que deve ser feito por um profissional. O que preocupa é que seja feito por alguém sem experiência”.
A estudante Renata Pedro fez a entrevista, passou por vários testes e até dinâmica de grupo com outras candidatas a uma vaga de recepcionista. No emprego anterior tinha feito apenas uma entrevista e ficou curiosa quando a selecionadora pediu-lhe que escrevesse um texto. Depois que passou a conhecer melhor a grafologia e sua aplicação, Renata acha importante este tipo de recurso. “O candidato pode descobrir performances que talvez nem saiba que tem”.
Eveli Murer Marconatto, de 20 anos, conseguiu um emprego no Varejão Oba depois de passar por uma bateria de testes aplicados pela agência de empregos contratada pela empresa. Ente eles, o de grafologia. Aluna do sexto semestre de psicologia, o teste foi providencial. “Achei interessante. Gostei das respostas, o teste mostrou como sou”. Eveli também acha que o teste é um bom recurso para a seleção, recrutamento e avaliação da performance. (M.F.)


CARACTERÍSTICAS DESEJADAS


SECRETÁRIA: Saber dizer não; ter capacidade de simulação; liderança; jogo de cintura; confiabilidade.
VENDEDOR: Ousadia; empatia; saber ouvir; ser observador; ter foco (ver o que o cliente quer).
DIRETOR-FINANCEIRO: Pulso firme; desconfiar de tudo e de todos; excelente comunicação; saber blefar; agir com razão.
PROFISSIONAL DE RH: Sensibilidade; visão do futuro; gostar de pessoas; ser observadora; confiabilidade; discernimento.

MUSSATO DARÁ CURSO EM SETEMBRO

A Actius Consultoria, Desenvolvimento e Liderança, de Campinas, promove em setembro e outubro um curso de grafologia a ser ministrado por CARLOS ROBERTO MUSSATO. As turmas são limitadas – 10 no máximo – e são 12 noites ao todo, duas vezes por semana.
É preciso alguns requisitos para o curso: ter formação superior ou, caso não tenha, mostrar uma sensibilidade e habilidade para trabalhar com gente (profissionais que têm curso técnico como enfermeiras e profissionais de recursos humanos, por exemplo).
“Além disso, ser um bom grafólogo exige estudo e prática constante no dia-a-dia”, explica CÁSSIO CORAZZARI, diretor de planejamento e desenvolvimento da Actius. Ele já fez o curso de grafologia, que começou ano passado e já formou duas turmas.
A carga horária do curso é de 42 horas/aula e outras 60 de laboratório, nos quais o aluno analisa textos e faz o trabalho para verificação e correção do professor.
“Após o curso, o profissional está habilitado para fazer a avaliação grafológica de qualquer pessoa para qualquer fim”, diz Corazzari. O preço do curso é de R$ 880,00 em quatro vezes. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (19) 3253-3030. (M.F.)

Fonte: Carlos Roberto Mussato, grafólogo