QUANDO A LETRA DESVENDA QUEM
VOCÊ É
CIÊNCIA QUE REVELA AS CARACTERÍSTICAS
E TRAÇOS DE PERSONALIDADE VEM SENDO CADA VEZ MAIS UTILIZADA
NOS PROCESSOS SELETIVOS EM EMPRESAS
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O
grafólogo Carlos Mussato e Cássio Conazzari, diretor
da
Actius: indicação precisa. |
O seu jeito de escrever é tão ou mais importante que
o currículo ou a roupa na hora de procurar emprego. É
possível através da letra descobrir se você atende
o perfil exigido pela vaga. O candidato faz o teste de grafologia,
muito usado em agências de emprego de Campinas, a pedido das
próprias empresas.
A grafologia é uma ciência e mais um recurso nos processos
de seleção, recrutamento de pessoal e avaliação
de performance. “ Hoje, 75% das grandes empresas usam esse teste
para ajudar a selecionar pessoal. Há quatro anos eram 15%”,
diz o grafólogo CARLOS ROBERTO MUSSATO, que afirma ter 20 anos
de experiência na área e de pertencer a um seleto grupo
dos quatro melhores profissionais do mundo.
Ele ministra cursos em Campinas e uma de suas discípulas é
Sirlei Bernardes, que usou por muitos anos os testes de grafologia
a pedido de empresas. “Grandes, médias e pequenas empresas
utilizam este recurso. Na agência realizava no mínimo
dois testes por dia”, conta ela, que deixou sexta-feira o cargo
de diretora da agência de empregos Fan para tocar seu próprio
negócio na área de consultoria empresarial.
Os candidatos, segundo ela, são informados sobre o teste e
sobre o resultado. A metodologia da grafologia, explicam os profissionais
da área, aponta as características e habilidades. As
empresas não falam sobre os testes porque a ciência não
é reconhecida pelo Conselho Regional de Psicologia. Curioso,
já que a maioria dos grafólogos é da área
de psicologia.
Lilian Cristina de Almeida é um exemplo. Ela é psicóloga
e a responsável pela seleção de candidatos na
agência Contec de Campinas, e usa o teste para avaliações.
“A grafologia não é usada para todas as vagas,
apenas para os cargos que exigem maior critério ou habilidades
específicas para determinadas funções”.
Quando lê um texto de uma pessoa, MUSSATO observa 1.256 características
de letras, linhas e tipos para fazer uma análise. Ele afirma
que é possível definir o perfil de uma pessoa e verificar
em quais áreas de atuação ela pode se adequar
melhor.
INVESTIR NA CIÊNCIA PODE SER UMA BOA ALTERNATIVA
Ser um grafólogo renomado pode ser interessante
e bem lucrativo. CARLOS ROBERTO MUSSATO chega a ganhar até
R$ 5 mil por mês analisando a letra e o jeito de escrever das
mais diversas pessoas. Ele faz laudos de avaliação e
cobra por cada um meio salário mínimo – R$ 120,00.
“Outro dia uma empresa me pediu 52 laudos de candidatos para
a vaga de vendedor específico na área de financiamentos”,
diz.
MUSSATO estima que existam atualmente cerca de 2 mil grafólogos
em todo o País. Vinte deles foram formados em Campinas pela
ACTIUS CONSULTORIA, DESENVOLVIMENTO E LIDERANÇA.
Ele diz que é preciso que o grafólogo dedique-se exclusivamente
ao exercício e a prática da ciência para ter um
bom rendimento. “Tem espaço para todo mundo. Esta ciência
pode ser utilizada nos mais variados campos”, argumenta.
Este profissional pode atuar, além da orientação
profissional, também na educacional, matrimonial ou antes do
casamento (pode-se descobrir o perfil do casal e ver se eles se combinam
e até detectar a orientação sexual), na descoberta
de patologias como estados de hipocondria, depressão, alcoolismo
, uso de drogas e cleptomania ou para o autoconhecimento.
NA PISTA
Outra área interessante é a da investigação
policial. “A Polícia utiliza a grafologia para descobrir
a veracidade das afirmações de seqüestradores e
bandidos em bilhetes para as vítimas ou textos extraídos
de material apreendido”, explica. Os laudos também podem
ajudar a detectar estelionatos, roubos, furtos.
Uma das maiores habilidades do grafólogo é convencer
as pessoas que trata-se de uma ciência e não magia, esoterismo
ou então “achismo”.
“É um paradigma que precisa ser quebrado. A grafologia
é uma ciência considerada em alguns círculos como
uma arte, porque parte do pressuposto que quem escreve não
é a mão, e sim a mente”, diz MUSSATO, também
psicanalista e mestrado em administração de Recursos
Humanos. (M.F.)
TESTES SÃO “INDISFARÇÁVEIS”
Depois de amargar sete meses sem emprego, Edson Santana
Pertrini, foi contratado para o cargo de comprador técnico
da Rivoli Tecna, empresa localizada em Salto, que pertence a um grupo
italiano. Ele conseguiu a vaga depois de passar no teste de grafologia.
A empresa buscava um profissional com as características apropriadas
para o cargo. Pertrini diz que não sabia que as suas habilidades
seriam analisadas letra por letra depois de escrever uma redação
com tema livre e num papel liso, branco e sem margens.
“Já tinha ouvido falar sobre a grafologia, mas não
sabia que a minha grafia teria peso tão importante assim no
processo de seleção”, diz. A experiência
foi válida, na sua opinião. “Achei legal, é
mais uma ferramenta para a analisar o perfil profissional”.
Ele explica que, na entrevista, a pessoa pode ficar nervosa e não
convencer o selecionador de todo o seu potencial. “Na grafologia,
a letra aponta suas características e não têm
como disfarçar”.
Pertrini faz apenas uma ressalva: “é um trabalho bastante
qualificado, que deve ser feito por um profissional. O que preocupa
é que seja feito por alguém sem experiência”.
A estudante Renata Pedro fez a entrevista, passou por vários
testes e até dinâmica de grupo com outras candidatas
a uma vaga de recepcionista. No emprego anterior tinha feito apenas
uma entrevista e ficou curiosa quando a selecionadora pediu-lhe que
escrevesse um texto. Depois que passou a conhecer melhor a grafologia
e sua aplicação, Renata acha importante este tipo de
recurso. “O candidato pode descobrir performances que talvez
nem saiba que tem”.
Eveli Murer Marconatto, de 20 anos, conseguiu um emprego no Varejão
Oba depois de passar por uma bateria de testes aplicados pela agência
de empregos contratada pela empresa. Ente eles, o de grafologia. Aluna
do sexto semestre de psicologia, o teste foi providencial. “Achei
interessante. Gostei das respostas, o teste mostrou como sou”.
Eveli também acha que o teste é um bom recurso para
a seleção, recrutamento e avaliação da
performance. (M.F.)
CARACTERÍSTICAS DESEJADAS
SECRETÁRIA: Saber dizer não; ter capacidade de simulação;
liderança; jogo de cintura; confiabilidade.
VENDEDOR: Ousadia; empatia; saber ouvir; ser observador; ter foco
(ver o que o cliente quer).
DIRETOR-FINANCEIRO: Pulso firme; desconfiar de tudo e de todos; excelente
comunicação; saber blefar; agir com razão.
PROFISSIONAL DE RH: Sensibilidade; visão do futuro; gostar
de pessoas; ser observadora; confiabilidade; discernimento.
MUSSATO DARÁ
CURSO EM SETEMBRO
A Actius Consultoria, Desenvolvimento
e Liderança, de Campinas, promove em setembro e outubro um
curso de grafologia a ser ministrado por CARLOS ROBERTO MUSSATO. As
turmas são limitadas – 10 no máximo – e
são 12 noites ao todo, duas vezes por semana.
É preciso alguns requisitos para o curso: ter formação
superior ou, caso não tenha, mostrar uma sensibilidade e habilidade
para trabalhar com gente (profissionais que têm curso técnico
como enfermeiras e profissionais de recursos humanos, por exemplo).
“Além disso, ser um bom grafólogo exige estudo
e prática constante no dia-a-dia”, explica CÁSSIO
CORAZZARI, diretor de planejamento e desenvolvimento da Actius. Ele
já fez o curso de grafologia, que começou ano passado
e já formou duas turmas.
A carga horária do curso é de 42 horas/aula e outras
60 de laboratório, nos quais o aluno analisa textos e faz o
trabalho para verificação e correção do
professor.
“Após o curso, o profissional está habilitado
para fazer a avaliação grafológica de qualquer
pessoa para qualquer fim”, diz Corazzari. O preço do
curso é de R$ 880,00 em quatro vezes. As inscrições
podem ser feitas pelo telefone (19) 3253-3030. (M.F.)
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| Fonte:
Carlos Roberto Mussato, grafólogo |
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