Artigo

A Hipnose Ericksoniana e a PNL
  Fernando Dalgalarrondo Jr.
   
 
 Quem estuda a Programação Neurolingüística e estuda a Hipnose Ericksoniana percebe não somente a principal base da PNL no trabalho de Milton Erickson como também a importância de se aprofundar nos conhecimentos transmitidos por esse incrível psiquiatra de Phenix (Arizona- EUA) para ampliar e potencializar a eficiência das técnicas da PNL. Tecnologia e controle são irmãs inseparáveis, no sentido de que o ser humano desenvolve tecnologia com o objetivo de controlar mais ou melhor alguma coisa, de ter poder sobre a natureza - própria, dos outros ou do ambiente que nos cerca.

 Quando queremos algo, logo buscamos um meio (estratégia - técnica) para obter nosso objeto de desejo. Se sentimos frio, recorremos a alguma estratégia (técnica) para “controlarmos” a temperatura de nosso corpo. Ao termos medo, angustia, ansiedade, queremos alguma “técnica” que nos alivie o mais rapidamente possível desse mal estar. E se precisamos de dinheiro, buscamos algum modo (estratégia - técnica) para obtê-lo. Todas essas questões - e milhões mais de nosso cotidiano - estão diretamente relacionadas a uma única pergunta: como?

 A resposta ao “como” é sempre alguma estratégia ou técnica e esta área é a principal ocupação do que chamamos de Programação Neurolingüística. John Grinder e Richard Bandler (os criadores da PNL) tentaram decifrar o “como” Milton Erickson obtinha aqueles resultados extraordinários com seus pacientes, utilizando sua peculiar hipnoterapia. Podemos afirmar com toda a segurança que eles realizaram seu intento com alto grau de êxito.

 Entretanto eu, como psicoterapeuta há quase 30 anos e professor de PNL há mais de 20, gostaria aqui de chamar a atenção do leitor para algumas reflexões e diferenciações que considero essenciais para uma compreensão mais abrangente do assunto. A maior parte da tecnologia desenvolvida pela humanidade (se não toda) é, de alguma forma, uma extensão do ser humano ou de algum ser vivo. Por exemplo: o automóvel é uma extensão de nossas pernas ou da capacidade de locomoção; as roupas, de nossa pele.

 As ferramentas mais simples - como martelo, serrote, machado e alicate - são extensões de nossa capacidade de bater, cortar, torcer, apertar, de nossas mãos, dedos, dentes, etc. O Telescópio e o microscópio são extensões de nossos olhos, assim como a televisão, a internet e por aí afora. O cinema, de nossa imaginação. O computador, de nosso cérebro. Posso portanto afirmar que a PNL, sendo uma tecnologia, seria uma extensão de uma capacidade. Mas qual?

 Uma delas é o “fazer como” o outro, do modo mais similar possível. E neste ponto é interessante notar que a grande habilidade do Dr. Milton Erickson era a de captar e compreender o “como” seus pacientes funcionavam e quais seus motivos para isso. A partir daí ele gerava suas estratégias para ajudar seus pacientes a alcançar seus objetivos.

 A capacidade de influenciar do Dr. Milton Erickson estava baseada em sua habilidade de dizer ou fazer aquilo que se “encaixava” com a experiência de seu cliente. A nova informação ou a tarefa transformadora sempre se baseava no conhecimento do modo como cada sujeito específico funcionava, e isso era descoberto através de um profundo rapport com o paciente e um processo intuitivo de modelagem por Erickson.

 Trocando em miúdos, do meu ponto de vista, o que Grinder e Bandler modelaram foi a habilidade de modelagem desse hipnoterapeuta. Como todos sabemos, não é possível ser idênticos a alguém: cada indivíduo é único. Por mais que observemos alguém e detectemos suas estratégias, há sempre algo que nos escapa, pois esse alguém, como um todo, é uma combinação única de fatores, impossível de ser reproduzida completamente. Tanto que Grindler e Bandler modelaram muito a capacidade de influenciar do Dr. Milton Erickson, mas pouco sua capacidade estratégica para gerar soluções aos problemas de seus pacientes. Isso não diminuiu o valor do processo de modelagem, simplesmente reconhece seus limites. E ao reconhecer seus limites podemos transcende-los.

 Ao longo da história muitos discípulos que iniciaram seu caminho modelando mestres chegaram bem mais longe que os mesmos, como é natural. Portanto, se queremos avançar, chegar mais longe, é necessário que nos aprofundemos no trabalho dos grandes mestres. Neste caso, utilizando o que chamamos de PNL. Essa fonte é primordialmente representada por Gregory Batesom, Feetzz Pearls, Virginia Satir e principalmente em minha percepção por Milton Erickson.
Grinder e Bandler abriram e facilitaram nosso caminho com a PNL, mas é fundamental fazer o caminho pessoalmente e beber direto da fonte ou sempre o mais próximo possível dela. Infelizmente esses mestres já se foram deste planeta, mas deixaram livros, estudos, gravações e discípulos com mais experiências e histórias.

 A grande contribuição que a hipnose Ericksoniana pode dar aos praticantes da PNL, principalmente, é incrementar sua comunicação e intimidade com seu próprio inconsciente e o das demais pessoas. Este inconsciente que tem a chave das soluções e que pode nos conduzir às necessidades essenciais de nosso coração.