A LIDERANÇA DE PARREIRA Carlos
Alberto Parreira é calmo, bem-articulado e disciplinado.
O técnico tetracampeão do mundo e comandante
da seleção conversou com a Interactius quando
veio a Campinas para uma palestra.
Parreira trabalha há 35 anos como técnico de
futebol e poucas pessoas sabem, mas foi tricampeão
mundial com a seleção brasileira em 70, no México,
como preparador físico. Para ele, professores, empresários,
industriais lideram do mesmo modo, independente da área,
uma vez que a matéria-prima de todos é a mesma:
o ser humano.
Acompanhe as respostas de Parreira à revista.
Interactius Os líderes em uma equipe são
natos ou eles podem ser produzidos?
Parreira As duas coisas. É discutível. Existe
muita polêmica sobre isso. Mas a liderança é,
sem dúvida, a capacidade de influenciar e motivar as
pessoas a fazer aquilo que você quer em torno de um
objetivo comum de uma maneira entusiasta. Ser líder
é exatamente isso, é mudar comportamentos, influenciar
pessoas.
Interactius Você utiliza alguma técnica
para liderar?
Parreira Não. Tenho lido algumas coisas na área,
mas ainda não fiz nenhum curso. Mas gostaria.
Interactius Você acha que nas ceu líder?
Parreira Eu acho que aprendi a exercer a liderança
no dia-a-dia. Com 35 anos de exercício da profissão,
dirigindo e trabalhando com pessoas. Eu sempre tive uma capacidade
muito boa para relacionamentos, para me relacionar bem, e
essa é uma das qualidades de um líder, saber
se relacionar bem com as pessoas.
Interactius O que você acha da PNL?
Parreira Eu acho interessante aprender as técnicas,
dadas as perspectivas para os profissionais. Você ganha
um atalho, não perde tempo e pode ajudar muito. Por
isso, eu acredito que com certeza, a liderança é
uma habilidade que pode ser desenvolvida.
CARREIRA DE CAMPEÃO
Parreira
nasceu no Rio de Janeiro em 1943 e aos 23 anos formou-se em
Educação Física e técnico de futebol
na Escola Nacional de Educação Física
e Desportos. Trabalhou como preparador físico no São
Cristóvão, Vasco, Fluminense e Seleção
Brasileira olímpica e profissional. Também foi
auxiliar técnico na Seleção olímpica
em 72 e na seleção do Kuwait. Mas acabou se
destacando mesmo como treinador.
Em 67, foi para Gana comandar a seleção daquele
país. "O futebol lá era jogado em campos
de terra, muitos atuavam descalços e já existia
o problema dos gatos porque eles não sabiam quando
tinham nascido”, comenta. O técnico acabou ficando
no continente africano e começou a se sobressair. Foi
vice-campeão da Copa Africana de Nações
e campeão do título continental de clubes, pelo
Kotoko SC, ambos em 68. Em 70, já estava no Fluminense
como preparador físico e conquistou a Taça de
Prata. Nesta função seu grande título
foi no México, com a Seleção Brasileira:
o tricampeonato mundial. Continuou no Flu e foi tricampeão
carioca (71, 73 e 75) e esteve nos amistosos e nos Jogos Olímpicos,
todos pela Seleção.
Em 1976, voltou para o exterior, desta vez para ser auxiliar,
e posteriormente comandar, a seleção do Kuwait.
Ficou até 82: foi vice-campeão da Copa Ásia
de Seleções em 76, campeão do Torneio
Pré-Olímpico, campeão da Copa da Ásia
de Seleções em 80, vice-campeão dos Jogos
Asiáticos e campeão da Copa do Golfo em 1982.
Voltou novamente ao Brasil e em 83 trouxe com a Seleção
o segundo lugar na Copa América. Em 84 foi campeão
brasileiro com o Fluminense.
Em 85, no Oriente Médio, foi vice-campeão da
Copa do Golfo pela seleção dos Emirados Árabes.
Em 1988 ganhou na final e colocou em seu currículo
mais um título de campeão da Copa da Ásia
de Seleções, desta vez com a Arábia Saudita.
Em 91, comandando o Bragantino, chegou ao vice-campeonato
Brasileiro, perdendo a final para o São Paulo de Telê
Santana. Em 94 ele se tornaria um herói nacional ao
conquistar o tetra nos Estados Unidos com a Seleção
Brasileira.
Parreira foi técnico do Valencia (Espanha), Fenerbahce
(Turquia), São Paulo, New York Metro Stars (Estados
Unidos), Fluminense, Atlético-MG, Santos e Internacional-RS.
No Flu, aceitou comandar a equipe na terceira divisão
do Brasileirão e chegou ao título. Mas o grande
triunfo acabou vindo no Corinthians, em 2002. Diante de muita
desconfiança, ele levou uma equipe sem estrelas ao
título da Copa do Brasil e do Torneio Rio - São
Paulo. Resultado: caiu nos braços da Fiel e voltou
à seleção brasileira depois da conquista
do pentacampeonato mundial, no lugar de Luiz Felipe Scolari.
Em mais uma passagem pela seleção, apesar de
um início conturbado, Parreira logo conseguiu implantar
novamente sua filosofia. Na metade de 2004, o treinador teve
seu primeiro grande momento vitorioso à frente da seleção
em sua passagem atual: conquistou o título da Copa
América, praticamente com um 'time B', batendo a Argentina
na final. Título para lavar a alma e impulsionar o
trabalho rumo à Alemanha.
Neste ano de 2005 classificou a seleção para
a Copa do Mundo de 2006, terminando as eliminatórias
em primeiro lugar. O elenco para o Mundial, embora ainda admita
alguns reparos, está quase fechado. E o próprio
Parreira não esconde: "Somos favoritos para o
título mundial, porque temos mesmo os melhores jogadores.
Precisamos saber lidar com esse favoritismo". Palavras
de líder e campeão.
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