O poder do transe hipnótico
Tradutora é hipnotizada durante curso para deixar de
gaguejar Imagine
ir trabalhar em um curso e, inesperadamente, tornar-se objeto
dele. Mais ainda, ser transformado em um verdadeiro símbolo
de que as técnicas ensinadas ali funcionam com perfeição.
Foi exatamente isso o que aconteceu com Luísa*, uma
das tradutoras do curso de Hipnose Ericksoniana promovido
pela Actius no mês de outubro.
A princípio ela estava ali para “tapar buracos”
da tradutora principal, Alina Purvinis, que já desenvolve
este trabalho para a Actius há tempos e, em decorrência
de outros compromissos, não poderia atuar na tradução
das palavras dos geniais Stephen Paul Adler e Betty Erickson
durante todo o curso.
Nos primeiros dias em que trabalhou, Luísa, que não
tinha muita experiência, cometeu alguns deslizes. “Ela
gaguejava muito, comia palavras, deixava de dizer coisas importantes”,
conta Fernando Dalgalarrondo, psicólogo e sócio-proprietário
da Actius. As reclamações dos alunos surgiram
logo no início da participação de Luísa.
Preocupado com o fato de os participantes não conseguirem
captar os ensinamentos - alguns chegaram a ameaçar
abandonar as aulas por causa da tradução - Dalgalarrondo
foi conversar com o Paul Adler. O hipnólogo, por sua
vez, sugeriu deixar que o grupo falasse para a moça
o que estavam achando de seu trabalho.
No dia seguinte, uma quarta-feira, Adler e os alunos expuseram
seus sentimentos e opiniões para Luísa. O palestrante,
então, perguntou se ela aceitaria ser colocada em transe
para que as dificuldades fossem trabalhadas. A sugestão
foi aceita. “O Paul Adler fez um trabalho muito bonito
com ela. Todo o grupo participou, cada um foi falando frases
que aumentavam a auto-estima dela, toda a tensão que
havia no grupo se desfez e Luísa melhorou sobremaneira
sua atuação. Foi fantástico”, lembra
Dalgalarrondo. Luísa passou de ponto de tensão
para símbolo do primeiro módulo do curso de
Hipnose Ericksoniana.
SUCESSO
Os
45 inscritos que participaram das aulas de Adler e Betty Erickson
, que em geral tomavam manhã e tarde dos oito dias
de curso, são unânimes: foi um sucesso. Na verdade,
desde as inscrições, as palestras sobre Hipnose
Ericksoniana já mostraram a que vinham. “Havia
40 vagas, mas recebemos uma centena de interessados”,
conta Gisele Campos, coordenadora de cursos da Actius.
Do total de participantes, 40% eram médicos ou ortodontistas,
duas profissões que apenas recentemente começaram
a utilizar as técnicas de hipnose em processos para
acalmar o paciente ou reduzir dores. Outros se inscreveram
para agregar ferramentas de trabalho ao dia-a-dia. “Eu
resolvi fazer o curso porque só agora a psicologia
está aceitando a hipnose como instrumento de uma prática
física, por isso quis fazer uma atualização”,
comenta a psicóloga Arlete Travasso da Costa. “E
queria saber o que era a Hipnose Ericksoniana, pois a psicologia
sempre foi muito resistente em aceitá-la”, complementa.
Para algumas pessoas, o curso rendeu até mais do que
esperavam, caso da professora universitária Lúcia
Duque. “Eu estou extrapolando minhas expectativas. Entrar
em contato com os conteúdos não é fácil,
mas está valendo a pena. Saio daqui energizada”,
conta.
O próprio Paul Adler também aprovou o curso
e os alunos. “Estou muito honrado por estas pessoas
estarem neste curso. As perguntas que fizeram mostram que
elas estão realmente ouvindo e o entusiasmo com o qual
todos aprenderam é muito recompensador para mim”,
diz .
*
O nome real da tradutora foi alterado a pedido dela, para
impossibilitar possíveis problemas no campo profissional
exercido por ela.
|