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‘Estamos
desconectados de nós mesmos’
Ícones
da Neurolingüística, Robert Dilts e Deborah Bacon
afirmam que vivemos um estado de “desconexão
coletiva” e pretendem ajudar os brasileiros a encontrarem
seus verdadeiros objetivos de vida
O
nome Robert Dilts é sinônimo de Programação
Neurolingüística (PNL) em todo o globo. Aluno
do próprio John Grinder (um dos criadores da PNL),
este americano de 51 anos nascido em Princeton (NJ) já
publicou 20 livros sobre o tema, traduzidos em oito línguas
(entre elas, russo, japonês, espanhol, dinamarquês,
francês e, claro, português). Entre eles destaca-se,
por exemplo, “A estratégia da genialidade”
(Strategies of Genius), obra dividida em três volumes
no qual Dilts analisa os processos de criatividade de personalidades
tão diferentes como o empresário de entretenimento
Walt Disney e o físico Albert Einstein – este
volume, por sinal, fez grande sucesso na Alemanha.
Além de teorizar, Dilts também é renomado
na prática: consultor e trainer em PNL, lidera aplicações
da neurolingüística à educação,
criatividade, saúde e liderança. Suas contribuições
pessoais na área incluem grande parte do trabalho fundamental
nas técnicas de PNL de Estratégias e Sistemas
de Crenças, desenvolvendo do que se tornou conhecido
como ‘PNL Systemica’.
No mês de setembro, Dilts estará no Brasil ao
lado de Deborah Bacon, outra grande personalidade da PNL,
para aplicar em conjunto o curso Coaching em Nível
de Identidade, durante o IV Congresso Latino-Americano de
PNL (leia mais sobre o congresso e a programação
na reportagem especial que começa na página
7).
Natural de San Jose, na Califórnia, e atualmente radicada
na França, Deborah tem 46 anos, é trainer e
tradutora profissional. Em entrevista exclusiva, concedida
a Interactius por e-mail, Dilts e Deborah falam sobre o curso
que estarão ministrando, bem como suas expectativas
em relação aos participantes do evento e ao
Brasil.
Interactius
– Vocês já vieram ao Brasil antes? Se sim,
quais suas impressões sobre o país e a população?
Se não, quais são suas expectativas?
Dilts – Já estive e é uma das minhas culturas
prediletas em todo o planeta. Eu acho que o povo brasileiro
é muito ciente de seus corpos e muito sensível
a relações interpessoais. A abertura e aceitação
do brasileiro em relação à diversidade
me toca profundamente. Também noto que o brasileiro
tem uma necessidade de pessoas que possam desenvolver sua
capacidade para serem mais confiantes neles mesmos e no futuro.
Devido a diversas mudanças ocorridas em anos passados,
acho importante que o país e a população
tenham consciência da contribuição especial
que dão ao mundo e assim continuem plenamente enraizados
em suas identidades.
Deborah – Esta será minha primeira visita ao
Brasil. Espero conhecer pessoas vivas, vibrantes e que amem
dançar. Espero conhecer pessoas que tenham uma conexão
rica com a própria consciência corporal e que
gostem de viver no presente. Também espero encontrar
nos brasileiros as mesmas preocupações, alegrias
e desafios que encontro em outras partes do mundo e que todos
dividimos como seres humanos.
Como
foi o primeiro contato de vocês com a PNL?
Dilts
– Nos anos 70, eu estava em meu terceiro ano na Universidade
da Califórnia, em Santa Cruz, e John Grinder (co-fundador
da ciência da PNL) era professor de lingüística
de lá. Eu me inscrevi em uma das classes dele. Na época,
ele e Richard Bandler (o outro fundador) tinham acabado de
terminar o rascunho do que viria a ser o primeiro livro de
ambos (The Structure of Magic) e começavam a fazer
visitas ao já mundialmente famoso hipnoterapeuta Milton
Erickson, em Phoenix (Arizona). Já no segundo dia de
aula John Grindler nos ensinou (éramos 200 alunos)
sobre o Meta-Modelo, uma técnica questionadora derivada
dos estudos dele e de Bandler sobre terapeutas eficientes.
Foi o primeiro ensinamento prático que aprendi na faculdade.
Todos nós ficamos malucos, o enchemos de perguntas.
A programação Neurolingüística nem
tinha nome nesta época. Comecei então a freqüentar
reuniões que Bandler e Grindler promoviam nos finais
de tarde e acabei me envolvendo, desde o início, com
os estudos do que viria a ser chamado de PNL.
Deborah
– Meu primeiro contato com PNL foi em 1988, quando estava
praticando para ser psicoterapeuta e aprendendo psychosynthesis.
Mas só desenvolvi uma relação mais firme
com a Neurolingüística em 1994, quando comecei
a traduzir palestras de um grande número de trainers
e desenvolvedores da Neurolingüística na França.
Entre as palestras que traduzi estavam as de John Grinder,
Charles Faulkner, Tamara Andreas e, claro, Robert Dilts.
Vocês
podem nos falar um pouco sobre o curso Coaching em Nível
de Identidade e as “transformações evolucionárias”
que ele produz?
Dilts e Deborah – Todos os processos de coaching e de
PNL são organizados em torno de um movimento a ser
feito do estado em que a pessoa se encontra para o estado
desejado. No caso do Coaching em Nível de Identidade,
o estado desejado é viver bem-centrado, com total presença
e consciência de si mesmo. Quando modelamos pessoas
criativas e de sucesso, descobrimos que estas são qualidades-chave,
uma “diferença que faz a diferença”.
A transformação evolucionária é
tornar-se mais quem você realmente é. Como disse
a famosa dançarina Martha Graham: “Existe uma
vitalidade, uma força vital, uma energia que é
traduzida para ação, e como só existe
um de você em todo o mundo, esta expressão é
única. Se você bloqueá-la, ela nunca existirá
em qualquer outro meio e se perderá. O mundo não
a terá. Não cabe a você determinar o quão
boa ela é ou compará-la com outras expressões.
Seu trabalho é manter o canal aberto.” Sob esta
perspectiva, a transformação evolucionária
é o que “mantém o canal aberto”.
Em nosso sistema de Coaching em Nível de Identidade
usamos ferramentas da PNL para ajudar as pessoas a reconhecerem
quando os canais delas estão abertos, quando estão
fechados e o que pode ser feito para abri-los de novo. Este
sistema é uma expressão de terceira geração
de PNL que também incorpora desenvolvimentos criados
por pessoas que trabalham com outras técnicas de transformação,
como (a dançarina e filósofa) Gabrielle Roth
e (o médico e líder espiritual) Richard Moss.
(nota
da redação: a chamada terceira geração
de PNL é aquela na qual são aplicadas técnicas
gerativas, sistêmicas e focadas em níveis muito
mais altos de aprendizagem, interação e desenvolvimento)
Quais
são os principais dilemas do dia a dia que impedem
as transformações evolucionárias?
Dilts e Deborah – O principal dilema é que as
pessoas se desconectam de si mesmas para poderem se proteger.
Com isso, nós perdemos contato com nossas reais necessidades
e nos refugiamos em atividades e comportamentos que nos mantêm
desconectados. Isso acaba levando a uma série de dinâmicas
que “desligam nosso canal” e nos fazem viver aquém
do que podemos ser. Entre estes comportamentos, estão,
por exemplo, fingir ser uma pessoa idealizada por nós
mesmos, porque pensamos que só assim receberemos amor
e seremos aprovados pela sociedade; identificar-se com pensamentos,
crenças e histórias que limitam nossa identidade
real; e não entender como se relacionar com sentimentos
difíceis que surgem naturalmente durante a vida. É
claro que, por outro lado, ninguém pode ir contra sua
própria evolução, mas é preciso
aprender a acompanhar e participar mais conscientemente dela,
em vez de ser carregado inconscientemente pelo rio da mudança.
No
material de divulgação do curso de vocês,
é dito que ele “ajuda as pessoas a encontrarem
os objetivos das vidas delas”. Como é possível
fazer isso e, mais ainda, como o mundo chegou ao ponto das
pessoas não saberem o que querem das próprias
vidas?
Nosso objetivo maior no Coaching em Nível de Identidade
é responder continuamente a pergunta: “Quem sou
eu?”. Nós respondemos a esta questão de
acordo com a maneira que reagimos à vida de tempos
em tempos. Qualquer pessoa naturalmente entra em contato com
seus propósitos de vida quando está centrada
em si mesma, consciente de corpo e conectada consigo mesma
e com o mundo ao redor dela. Justamente porque nós
nos desconectamos de nós mesmos, por medo, e por termos
nos refugiado em atividades e comportamentos que nos mantêm
assim, nos tornamos pessoas que apenas reagem a fatos e começamos
a “fechar nossos canais” e nos afastar do que
tememos, em vez de entrar em contato com o que queremos de
nossas vidas. Nosso sistema de Coaching foi desenvolvido para
capacitar as pessoas a expandirem e aprofundarem o sentido
de quem elas são e a responderem a oportunidades e
desafios que ocorrem na vida a partir de um estado de grande
consciência, recursos e autenticidade – mesmo
em tempos de crise. Sob o ponto de vista do Coaching em Nível
de Identidade, é importante que vejamos nossas vidas
como a “jornada de um herói” e a encontremos
nosso chamado para enfrentarmos os eventos e desafios que
aparecem. Aliás, em geral é por meio de crises
em nossas vidas que conseguimos nos tornar capazes para encontrar
nosso chamado de vida, nosso propósito.
Por
falar em objetivos de vida, como vocês sentem os objetivos
da humanidade atual? Caminhamos para um futuro melhor?
Dilts e Deborah – A humanidade encontra-se claramente
em um momento desafiador. Problemas como terrorismo e aquecimento
global mostram que nós cada vez mais nos desconectamos
de nós mesmos, dos outros e do mundo. Entramos em um
“estado de desconexão coletiva” tão
grande que isso gerou uma crise que está fazendo com
que muita gente acorde. Sobre esta ótica, as pessoas
estão prontíssimas para mudanças e transformações.
Vemos cada vez mais pessoas questionando-se sobre o que é
realmente importante e reavaliando a direção
que suas vidas tomaram. Esta é uma das principais razões
pelas quais nós desenvolvemos as ferramentas e técnicas
que usamos no Coaching em Nível de Identidade.
Vocês
acham que os medos e ansiedades em todo mundo são mais
ou menos os mesmos? Ou eles são diferentes para um
cidadão estadunidense e um brasileiro, por exemplo?
Dilts e Deborah – Em um nível mais profundo,
seres humanos dividem os mesmos medos fundamentais: medo de
sofrer dor, medo de abandono, medo de deixar de existir, etc.
O modo pelo qual este medo se expressa varia de cultura para
cultura e a ênfase dada a eles muda dependendo da circunstância
de vida de cada um. Nossa resposta ao medo, porém,
geralmente é nos isolarmos e vivermos de maneira constrita.
O processo do Coaching em Nível de Identidade ajuda
as pessoas a identificarem estes medos fundamentais nas formas
que classificamos como “demônios” e “
sombras” – sentimentos e partes de nós
mesmos que foram desconectados e que não queremos enfrentar.
Então damos apoio às pessoas para que elas mudem
sua relação com estes medos, reabram seus “canais”
e passem a viver em um estado de maior fé e confiança.
Vocês
poderiam nos dizer um pouco mais sobre o que farão
aqui no Brasil?
Dilts e Deborah – Desafios de identidade frequentemente
emergem durante tempos de transição. Já
foi dito que as coisas estão sempre mudando, mas não
necessariamente progredindo. O programa do Coaching em Nível
de Identidade é altamente vivenciável e nele
os participantes aprenderão habilidades práticas
e princípios para gerenciar as transições
de suas vidas com maior facilidade, fluidez e recursos.
Alguma
mensagem ao público brasileiro?
Dilts e Deborah – Quando nós nos tornamos centrados
em quem realmente somos, passamos a viver profundamente conectados
com nós mesmos e com os outros. Reencontrar e apoiar
esta conexão é o elemento essencial para curarmos
o mundo. Desta forma, o Coaching em Nível de Identidade
contribui para transformarmos nossa realidade coletiva.
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