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A importância de se escolher um bom curso
Sábado,
16 de setembro de 2006. Em um simpático hotel do distrito
de Nova Aparecida, em Campinas, o empresário paulistano
Wagner Dias Barbosa Lima garante a casais em crise conjugal
que eles podem andar em cima de brasas incandescentes usando
o poder da mente. O resultado: 35 pessoas com queimaduras,
inclusive de segundo grau.
A história ganhou páginas dos principais jornais
do Brasil. Pior ainda, como o tal empresário afirmava
dominar técnicas de Programação Neurolinguística,
a maioria da imprensa relacionou o incidente à PNL.
O erro da mídia causou revolta entre os conhecedores
da Neurolinguística. Em Campinas, Fernando Dalgalarrondo
e Cássio Corazzari, da Actius, agiram rápido
e foram aos jornais. “Não podíamos deixar,
de maneira alguma, que misturassem esse tipo de coisa com
o que fazemos. Tínhamos acabado de realizar nosso Congresso
Internacional, reunindo centenas de pessoas de todo o planeta
na cidade, e a imprensa, ao ouvir que o tal empresário
usava PNL, confundiu tudo”, conta Corazzari.
Dalgalarrondo, que é psicólogo e há 25
anos ministra cursos de PNL no Exterior, explicou aos jornais
que a PNL é o estudo do comportamento humano através
da linguagem. “Deixamos claro que a Neurolinguística
é um meio sério de se desenvolver as potencialidades
do ser humano e nada tem a ver com usar o poder da mente para
caminhar sobre brasas”, diz.
Até mesmo uma mestre em yoga foi ouvida pela mídia
para deixar claro que PNL e andar em brasas são atividades
distintas. “Para chegar até esse nível
de controle da mente (que possibilita caminhar sobre brasas
sem sentir dor), é preciso passar por diversos passos.
Não é em um único dia, de uma hora pra
outra, que a pessoa consegue trabalhar isso”, disse
a iogue Everarda Aparecida Borges de Paula à Rede Anhangüera
de Comunicações.
Um detalhe importante: procurado pela imprensa de todo país,
o “instrutor” Wagner Dias Barbosa Lima não
foi encontrado nem se pronunciou sobre o episódio a
ninguém.
Credenciais
Para
Fernando Dalgalarrondo, há lições muito
importantes a serem aprendidas com o ocorrido. “Em primeiro
lugar, as pessoas têm de se conscientizar que é
preciso checar as credenciais de quem ministra qualquer curso.
O fato de uma pessoa ter um site bonito na Internet e dizer
que entende de tudo não significa que ela pode ou sabe
ensinar algo”, diz.
O psicólogo alerta que, mesmo quando há um suposto
conhecimento, é preciso verificar se as credenciais
estão à altura do que é oferecido. “Há
muitos casos de pessoas que fazem um curso e já acham
que podem ensinar o que foi aprendido. Só o fato de
ter passado por um curso não capacita ninguém
a ensinar. É necessário ter formação
específica, didática, experiência e uma
estrutura correta. Antes de se inscrever em qualquer coisa,
verifique tudo isso e procure ouvir pessoalmente quem já
passou pela experiência”, recomenda.
Outra boa dica é se informar sobre a instituição
que oferece o curso, buscar saber suas referências e
até mesmo a existência de selos de qualidade
neutros e indubitáveis, como o ISO 9002, por exemplo.
Como se vê, são medidas simples, mas que podem
evitar que o aluno compre gato por lebre. E, neste caso, ainda
pague para se machucar.
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