Programação
campeã
PNL é usada com sucesso para aperfeiçoar
Desempenho de atletas nos mais diversos esportes
Danielle
Carvalho
O
ano era 2002 e o volante brasileiro Gilberto Silva havia acabado
de chegar ao Arsenal, clube da Inglaterra que defende até
hoje. Ao vê-lo jogando, o técnico Arsene Wenger
só pôde pensar em uma definição:
“uma parede invisível”. O atleta estava
então no auge da carreira (naquele mesmo ano, conquistou
a Copa do Mundo como titular da seleção brasileira),
algo que parecia improvável meses antes, quando o então
jogador do Atlético Mineiro sequer tinha vaga garantida
no grupo do técnico Luís Felipe Scolari. O que
pouca gente sabe é que a evolução que
transformou o jogador do Atlético na “ parede”
do Arsenal e da Seleção Brasileira teve tudo
a ver com a Programação Neurolingüística.
A trajetória de sucesso de Gilberto Silva passou pelo
trabalho realizado por Ricardo Melo, consultor de desenvolvimento
humano e Master Trainer em Programação Neurolingüística
(PNL). “Antes da Copa de 2002, fizemos um trabalho,
com aplicação de técnicas de PNL, para
fortalecer a capacidade de marcação e a dosagem
de força, o que, na prática, significa fazer
menos faltas no jogo ou cometê-las sem tomar cartão.
Trabalhamos neste enfoque, alinhando mente, emocional e físico”,
conta Melo, que também é diretor do Instituto
que leva seu nome.
Atualmente, o consultor desenvolve um amplo trabalho de Coaching
Esportivo com o clube do Cruzeiro (MG), envolvendo diretoria,
equipe técnica e jogadores. “No Cruzeiro utilizo
a PNL dentro de um processo. Gosto da seguinte analogia, neste
caso: se o coaching fosse um computador, a PNL seria o Windows”,
diz.
A aplicação da PNL ao esporte não é
recente. Hermes Balbino, professor da Faculdade de Educação
Física da Universidade de Campinas (Unicamp) e consultor
esportivo do time de basquete masculino Uniara/Lupo/Araraquara,
já fazia uso das ferramentas de Programação
Neurolingüistica em 1989, em seus treinos como preparador
físico da seleção brasileira de basquete
feminino.
“Conheci a PNL com Mauricio Kobayashi, treinador de
Cláudio Kano (campeão de tênis de mesa).
Os atletas treinados por Kobayashi eram diferenciados, tinham
objetivos e metas claras. Os treinos dele eram diferentes,
ele fazia muito uso de metáforas, ressignificações,
linguagem hipnótica e relaxamento. Aquilo trazia um
resultado maravilhoso”, diz Balbino.
Ele acrescenta que desde 89 aplicava técnicas de PNL
no grupo de treino. “A preparação física
é uma das partes mais puxadas do treinamento de um
atleta. É cansativa e pesada, mas é parte importante
do todo, e a evolução do trabalho foi clara.
Conquistamos o Panamericano de Havana, a medalha de prata
nas Olimpíadas de Atlanta de 1996 e primeiro lugar
na Copa America”, relembra.
Balbino conta que buscava em seu trabalho estratégias
que provocassem mudanças internas nas jogadoras da
seleção de basquete. “Precisava entender
as experiências pelas quais elas passavam e levá-las
para onde elas deveriam estar. A PNL me deu condição
de melhorar o campo profissional”.
Meio
ideal
Por
utilizar método e processo para determinar os padrões
que as pessoas utilizam para obter resultados excepcionais
naquilo que fazem, a PNL se torna um meio ideal para ajudar
atletas a conquistarem seus objetivos, modelarem sucessos
e poder replicá-los. “A idéia é
despertar no atleta e nos times os recursos que existem dentro
deles. A PNL é como uma lanterna: ela ilumina, mostra
o centro do que de melhor está em cada um”, compara
Balbino.
O primeiro passo do trabalho dos facilitadores é mapear
os objetivos dos atletas. “Todo esportista, seja ele
de alto nível ou o amador, aquele que vai à
academia para perder barriga ou o corredor de final de semana,
começa no esporte a partir de um objetivo. A PNL é
uma ferramenta bárbara para enxergar e atingir as metas”,
afirma Ricardo Melo.
A partir daí, são traçados os perfis:
experiências de vitórias e fracassos, lembranças
positivas e negativas, feedbacks. Estas informações
mostram as crenças individuais e do grupo, que irão
permitir o uso futuro de âncoras. “Todas as experiências
irão refletir no comportamento. Por exemplo: um jogador
que retorna de uma contusão após sete meses
parado, pode se sentir reticente em dividir uma bola, porque
sua última lembrança é a lesão.
Ou mesmo a rejeição da torcida. O profissional
tem que trabalhar isso, no sentido de mudar a percepção
interna do atleta, ou ele entrará reservado no jogo
e seu rendimento ficará comprometido. Tudo isso tem
que ser desenvolvido e a PNL auxilia muito”, complementa
Melo.
Balbino afirma ainda que uma das partes importantes do processo
é a ressignificação. “No caso de
derrotas, monto dinâmicas onde não apontamos
culpados. Não julgamos pessoas e sim analisamos o comportamento
do grupo. Fazemos uma ressignificação e deixo
aparecer o que fez com que a performance não tenha
sido a ideal. O objetivo é entender a percepção
do modelo de mundo de cada sujeito, desafiar suas queixas
e assim desatar os nós que impediram o desempenho desejado
do time”, revela.
O importante, segundo ele, é sempre trabalhar para
alinhar simultaneamente mente, emoção e ação.
“Certa vez, trabalhei com dois jogadores de basquete
individualmente, pois eles não tinham rendido como
podiam em uma partida. No jogo seguinte, os mesmos jogadores
foram os maiores pontuadores”.
Ressignificação
Como
preparador físico, Balbino conta que também
ressignificava as práticas de treino e trabalhava com
as jogadoras da seleção feminina de basquete
com objetivos e metas presentes. “Muitas vezes as atletas
chegavam a ficar longas temporadas juntas, na concentração
e durante os campeonatos. Nem sempre em lugares que elas desejavam
estar ou com pessoas que haviam escolhido para dividir o espaço.
Assim, ressignificávamos tudo. Eu mostrava que o desafio
não é apenas completar a tarefa ou o treino.
O desafio naquela preparação é a superação
física, mental, emocional, social e até de ambiente.”
Ele diz que fazia o desenho da prática e assim todos
enxergavam a periodização do treino. “Cada
unidade tem que ser encantada para que o atleta mantenha o
foco no objetivo. Destaco o que há de novo a se aprender
em cada etapa e permito que o atleta tenha insights durante
a prática. Ele tem que saber que nasceu para aquilo
e querer estar ali. Como o tenista Jimmy Connors dizia: quando
ele jogava, a quadra de tênis era o único lugar
do mundo onde ele queria estar.”
Alinhamento entre o mental, o emocional e a ação
é ponto chave no esporte. Ricardo Melo destaca, por
exemplo, a relação do diálogo interno
e do tônus emocional de competitividade do atleta. “Pegue
um fundista. Se, ao começar uma maratona, o diálogo
interno começa a dizer para ele que ele não
conseguirá chegar ao final ou que o queniano ao seu
lado é um competidor mais forte, o seu tônus
emocional de competitividade cai e ele perde rendimento. Nós
trabalhamos para alinhar o seu diálogo interno com
a melhor performance mental na hora da competição”,
diz.
Durante a preparação do atleta, também
é sugerido trabalho de diálogo interno fortalecedor,
para que o esportista se motive no treinamento, através
de metas palpáveis, que possam ser mensuradas. “Por
exemplo, o treinamento de um velocista. A meta dele é
baixar milésimos em sua prova mundial. Para que ele
possa atingir o objetivo final, serão meses de treinamento.
Este processo pode ser dividido, pois assim ele terá
metas próximas e que possam ser medidas, para que ele
mantenha o foco até o final. A mesma coisa para alguém
que deseja emagrecer. Em vez de pensar no total, por exemplo,
perder 20 kg, ela divide em 2 por mês. O cérebro
assimila melhor”.
Campeão de basquete Chuí garante:
prática potencializa o melhor de cada um
O
ex-jogador e hoje técnico de basquete do Uniara/Lupo/Araraquara,
Marcos Aurélio Pegolo dos Santos, o Chuí, realizou
um trabalho com técnicas de PNL durante seis meses
com seus jogadores e afirma que os resultados foram notórios.
“Eu já havia feito uso das ferramentas da Programação
Neurolingüística comigo, na minha época
de jogador. A experiência foi muito válida, pois
me fez entender os momentos dos jogos. Eu conseguia tirar
o quanto precisava da emoção e enxergar a situação
do jogo real”, conta ele, que foi bicampeão sul-americano
de basquete (1989 e 1993) e medalha de bronze nos Jogos Americanos
de Mar Del Plata, na Argentina (1995).
Chuí conta que durante o treinamento do Uniara/Lupo
ele procura trabalhar com exercícios mentais de visualização,
especificamente em cima das funções de lance
livre, arremesso de dois e três pontos. “Conversamos
sobre o arremesso perfeito e realizamos o treino mental, com
visualizações, e o mecânico. Você
percebe na hora uma confiança maior no jogador, a mecânica
fica melhor e, em termos de números, temos um bom aumento
de acertos. Todos os jogadores ficaram satisfeitos com a aprendizagem”,
revela o técnico.
Pan Americano no Brasil
Pela
primeira vez na história os Jogos Pan Americanos serão
realizados no Brasil, no Rio de Janeiro, a partir de junho
deste ano. Na avaliação dos especialistas em
PNL, este fato pode ser ponto de pressão ou ponto a
favor da atuação dos esportistas, uma vez que
suas famílias e amigos poderão estar presentes
aos estádios, piscinas, ginásios e campos, e
com isso haverá uma grande torcida durante as competições.
Para determinar conscientemente qual será a conseqüência
de jogar “em casa”, as atletas podem recorrer
à PNL. “A Programação Neurolingüística
é uma ferramenta poderosíssima para auxiliar
este competidor, pois através dela, ele poderá
montar modelos mentais de sucesso e êxito. Assim, o
esportista irá encarar todos os fatores de competir
no Rio de Janeiro a seu favor, basta usar a PNL”, aconselha
Ricardo Melo.
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