Swish...a
vontade sumiu!
Técnica de PNL elimina compulsões que vão
de roer unhas a fumar
Djota Carvalho
Swish, em inglês, é o nome dado ao arremesso
de basquete que entra com perfeição na cesta,
sem tocar em nada, o que na imaginação dos americanos
produziria o exato som desta palavra. É o que, na gíria
em português do basquete, chamamos de “chuá”.
Swish também é uma técnica de Programação
Neurolingüística (PNL) que, com a mesma exatidão
de um arremesso perfeito, elimina os mais diversos comportamentos
compulsivos.
“Já usei o swish para ajudar pessoas que queriam
parar de comer muito um determinado tipo de comida, comprar
compulsivamente um determinado acessório, roer unhas
e até parar de fumar. É uma técnica relativamente
rápida e bastante eficaz. A maioria das pessoas abandona
o hábito compulsivo em apenas uma sessão”,
diz o psicólogo Fernando Dalgalarrondo, da Actius.
Segundo Fernando, a técnica modifica uma resposta condicionada
que as pessoas compulsivas têm, utilizando imagens internas
e trocando-as de modo que elas passem a ter respostas e conseqüentemente
comportamentos diferentes dos originais (veja exa-tamente
como a técnica funciona no quadro na página
15). Também como no basquete americano, o nome swish
é onomatopéico: refere-se ao som imaginário
produzido pela troca rápida das imagens.
A consultora de treinamento Branca Barão (foto acima)
foi uma das que largou uma - deliciosa - compulsão
graças à técnica. Ela conta que, “desde
que se conhece por gente”, sempre foi apaixonada por
mousse de chocolate. Uma paixão compulsiva. “Depois
de adulta me peguei indo somente a restaurantes que tinham
um bom mousse para a sobremesa e até saía de
casa à noite, embaixo de chuva, para comprar esse doce.
Uma vez, em um trabalho que fiz num hotel em Santa Catarina,
não consegui nem almoçar por causa de uma travessa
de mousses que tinha no buffet de sobremesas... acabei comendo
só a sobremesa”, diz, acrescentando que, além
de tudo, só apreciava a sobremesa em grandes quantidades.
Em média, Branca comia mousses três vezes por
semana, sendo que na maioria delas saía de onde estivesse
só para comprá-los. A sessão de swish
com
com Branca foi realizada durante o Practitioner, como exemplo
da técnica. Enquanto a consultora se submetia ao método,
um participante do grupo que assistia ao curso foi ao restaurante
do hotel e pediu que fossem servidas mousses como sobremesa,
sem que a moça soubesse. Quando viu os mousses expostos
no almoço, porém, Branca nem chegou perto deles.
“Naquele momento pensei que talvez eu não tivesse
comido porque todos os outros participantes do grupo estavam
me observando e eu tive vergonha de comer. Porém, a
vontade desapareceu de uma vez a partir daquele dia: não
comi mais nenhum mousse desde julho de 2004. Aliás,
nem vontade de doce eu tenho mais, porque usei a mesma técnica
com eles. Às vezes chego a pensar: hmmmm, esse restaurante
tem um mousse de chocolate ótimo, vou pedir de sobremesa.
E quando percebo já saí do restaurante e esqueci,
ou simplesmente fiquei satisfeita com a refeição
e não quero mais nada”, conta.
Cláudio Acemel Cordeiro, assistente de Marketing, também
usou o swish para se livrar de uma compulsão incômoda:
roer unhas. “Comecei a roer há uns oito anos,
não sei exatamente o momento. De repente, eu era um
roedor”, diz, rindo. O hábito aparentemente inofensivo
começou a prejudicar até mesmo a vida profissional
de Cordeiro: durante reuniões de trabalho, as pessoas
o olhavam ostensivamente enquanto ele roía as unhas
sem parar.
“Roía bastante mesmo, vivia machucando meus dedos.
Um dia eu estava no metrô de Londres, durante uma viagem,
e uma menina que eu nem conhecia perguntou se eu estava nervoso.
Aí eu vi que exagerava no hábito e dei uma diminuída,
passei a roer só a pelinha ao lado das unhas”,
relembra.
Assim como aconteceu com Branca, Cordeiro se voluntariou para
uma sessão de swish durante o Practitioner, em janeiro
deste ano. “Desde aquele dia, nunca mais roí
unhas. É fantástico, se penso em roer unha já
me vem a imagem mental programada no curso. Não só
o swish como todas as outras técnicas (de PNL) são
de grande ajuda no meu dia-a-dia. Uma amiga me disse uma vez
que se mais gente tivesse acesso a esse tipo de conhecimento,
o mundo seria um lugar melhor. E acho que ela tem razão.”
‘Abandonei
meu melhor amigo’
A
história da terapeuta corporal Kátia Leopoldi
é mais preocupante que a de Branca e Cordeiro. Aos
40 anos, Kátia teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC),
em decorrência do vício de fumar. Ainda assim,
não conseguia largar o cigarro. “Fumei por longos
30 anos, e fumei muito. Durante todo este tempo jamais parei
de fumar, nem um dia sequer: foram anos de dedicação
entre nós. Comecei a fumar aos 14, em uma época
que fumar era símbolo de charme e sensualidade, me
inspirando na beleza apresentada pelas telenovelas que iniciei
minha longa amizade com o cigarro. Estávamos sempre
juntos e parecia que jamais iríamos nos separar”,
diz.
Kátia conta que o cigarro era “seu melhor amigo”,
mas após o AVC e uma série de circuns-tâncias
pessoais que enfrentou, decidiu que era hora de abandoná-lo.
Durante um curso de Practitioner, porém, percebeu que
era mais que um vício: tratava-se de uma compulsão.
“Quando chegamos a aula de mudança de comportamento,
descobri que não era viciada e, sim, compulsiva ao
cigarro. Sempre achei que era compulsiva a bolsas e blusinhas,
nunca poderia imaginar isso: compulsão a cigarro. Segundo
consta, compulsão é o ato de fazer algo e se
sentir culpado logo em seguida. E era exatamente o que sentia
em relação ao cigarro”.
Antes mesmo que Fernando Dalgalarrondo completasse a frase
pedindo um voluntário, ela já levantou e passou
a frente de todos pedindo para ser a “cobaia”.
“Isso foi no dia 26 de janeiro de 2007, mais ou menos
por volta das 16 horas, e até agora sinto tanto nojo
de cigarros que chega a ser engraçado. Fiz apenas uma
sessão de swish e, como disse o professor Dalgalarrondo
no meio da sessão, eu já estava curada. Com
apenas dois flashes eu já não conseguia mais
ver a imagem pista, foi automático, eu só conseguia
ver minha imagem limpa e brilhante da Kátia que eu
queria me transformar, leve e serena, pois era assim que eu
imaginava que seria, e é exatamente assim que me sinto
hoje”, diz.
Kátia conta que, desde então, sequer pensou
na possibilidade de voltar a fumar. “Sinto-me maravilhosa,
minha pele esta cada dia mais iluminada, meus cabelos com
um brilho diferente, as pessoas comentam que até minha
voz mudou. Já arrisquei um cooper na pista da Lagoa
do Taquaral, em Campinas, exercício que não
praticava desde os 14 anos. Definitivamente minha vida mudou
muito. Parei de fumar. Isso é fato.”
Apesar do sucesso de Kátia, Dalgalarrondo alerta que,
no caso de compulsões como o cigarro, muitas vezes
é necessário agregar ações ao
swish. “Há casos em que deve-se trabalhar auto-imagem,
é preciso fazer um histórico da pessoa, usar
patches de nicotina para combater a dependência química.
Mas isso depende da função que o cigarro tem
na vida dela: às vezes a pessoa fuma como relaxamento
ou 'forma de conversar', por exemplo”, diz. “Não
é uma técnica que funciona em 100% dos casos.
Mas é eficiente em 99% deles e, no um por cento em
que não funciona, chega a perfeição se
for aliada a outras ações contra a compulsão”,
conclui. (colaborou Michela Yaeko)
Quadro: Como funciona o Swish
1. Com a ajuda de um especialista na técnica, o compulsivo
identifica quais são as imagens mentais que geram a
compulsão. “É o que chamamos de imagem
pista. Por exemplo, a pessoa não está fumando,
mas vê outra pegando um cigarro e essa imagem dispara
nela a vontade de fumar. Ou alguém que não está
com fome, mas quando vê uma determinada cor ou embalagem
passa a sentir a vontade de comer chocolate”, exemplifica
Fernando Dalgalarrondo.
2.
Depois de identificar e fixar a imagem pista, o compulsivo
cria uma outra imagem dele mesmo, mais criativa, em uma situação
saudável.
3.
A seguir, com os olhos fechados, ele monta um quadro em sua
mente: a imagem pista é visualizada de forma grande
e clara. Dentro dela, em um quadro menor (como naqueles televisores
que permitem assistir dois canais ao mesmo tempo), ele visualiza
a imagem saudável.
4.
O especialista estala o dedo e, swish, o compulsivo faz a
imagem grande diminuir e desaparecer em sua mente, e a pequena
ficar grande e clara. Nesta primeira vez, a troca ocorre de
maneira lenta e gradual.
5.
O especialista faz com que o compulsivo repita o processo
várias vezes, cada vez mais rapidamente, até
que ele comece a funcionar inconscientemente.
6.
A partir daí, a imagem pista passa a ser relacionada
com um comportamento saudável e a compulsão
some.
Observações:
-
Fernando Dalgalarondo afirma que uma pessoa pode fazer o processo
sozinha, mas só depois de ter aprendido com acompanhamento
profissional, até porque em geral só com a ajuda
de um especialista é possível identificar a
imagem pista e saber o número de vezes que o swish
deve ser repetido para gerar o comportamento inconsciente.
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Compulsões como o cigarro, por exemplo, na maioria
das vezes exigem tratamentos associados, porque também
são gerados por dependências químicas
e não exclusivamente psicológicas.
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