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Revista InterActius 6

Swish...a vontade sumiu!
Técnica de PNL elimina compulsões que vão de roer unhas a fumar


Djota Carvalho
Swish, em inglês, é o nome dado ao arremesso de basquete que entra com perfeição na cesta, sem tocar em nada, o que na imaginação dos americanos produziria o exato som desta palavra. É o que, na gíria em português do basquete, chamamos de “chuá”. Swish também é uma técnica de Programação Neurolingüística (PNL) que, com a mesma exatidão de um arremesso perfeito, elimina os mais diversos comportamentos compulsivos.

“Já usei o swish para ajudar pessoas que queriam parar de comer muito um determinado tipo de comida, comprar compulsivamente um determinado acessório, roer unhas e até parar de fumar. É uma técnica relativamente rápida e bastante eficaz. A maioria das pessoas abandona o hábito compulsivo em apenas uma sessão”, diz o psicólogo Fernando Dalgalarrondo, da Actius.

Segundo Fernando, a técnica modifica uma resposta condicionada que as pessoas compulsivas têm, utilizando imagens internas e trocando-as de modo que elas passem a ter respostas e conseqüentemente comportamentos diferentes dos originais (veja exa-tamente como a técnica funciona no quadro na página 15). Também como no basquete americano, o nome swish é onomatopéico: refere-se ao som imaginário produzido pela troca rápida das imagens.

A consultora de treinamento Branca Barão (foto acima) foi uma das que largou uma - deliciosa - compulsão graças à técnica. Ela conta que, “desde que se conhece por gente”, sempre foi apaixonada por mousse de chocolate. Uma paixão compulsiva. “Depois de adulta me peguei indo somente a restaurantes que tinham um bom mousse para a sobremesa e até saía de casa à noite, embaixo de chuva, para comprar esse doce. Uma vez, em um trabalho que fiz num hotel em Santa Catarina, não consegui nem almoçar por causa de uma travessa de mousses que tinha no buffet de sobremesas... acabei comendo só a sobremesa”, diz, acrescentando que, além de tudo, só apreciava a sobremesa em grandes quantidades.

Em média, Branca comia mousses três vezes por semana, sendo que na maioria delas saía de onde estivesse só para comprá-los. A sessão de swish com
com Branca foi realizada durante o Practitioner, como exemplo da técnica. Enquanto a consultora se submetia ao método, um participante do grupo que assistia ao curso foi ao restaurante do hotel e pediu que fossem servidas mousses como sobremesa, sem que a moça soubesse. Quando viu os mousses expostos no almoço, porém, Branca nem chegou perto deles.

“Naquele momento pensei que talvez eu não tivesse comido porque todos os outros participantes do grupo estavam me observando e eu tive vergonha de comer. Porém, a vontade desapareceu de uma vez a partir daquele dia: não comi mais nenhum mousse desde julho de 2004. Aliás, nem vontade de doce eu tenho mais, porque usei a mesma técnica com eles. Às vezes chego a pensar: hmmmm, esse restaurante tem um mousse de chocolate ótimo, vou pedir de sobremesa. E quando percebo já saí do restaurante e esqueci, ou simplesmente fiquei satisfeita com a refeição e não quero mais nada”, conta.

Cláudio Acemel Cordeiro, assistente de Marketing, também usou o swish para se livrar de uma compulsão incômoda: roer unhas. “Comecei a roer há uns oito anos, não sei exatamente o momento. De repente, eu era um roedor”, diz, rindo. O hábito aparentemente inofensivo começou a prejudicar até mesmo a vida profissional de Cordeiro: durante reuniões de trabalho, as pessoas o olhavam ostensivamente enquanto ele roía as unhas sem parar.

“Roía bastante mesmo, vivia machucando meus dedos. Um dia eu estava no metrô de Londres, durante uma viagem, e uma menina que eu nem conhecia perguntou se eu estava nervoso. Aí eu vi que exagerava no hábito e dei uma diminuída, passei a roer só a pelinha ao lado das unhas”, relembra.

Assim como aconteceu com Branca, Cordeiro se voluntariou para uma sessão de swish durante o Practitioner, em janeiro deste ano. “Desde aquele dia, nunca mais roí unhas. É fantástico, se penso em roer unha já me vem a imagem mental programada no curso. Não só o swish como todas as outras técnicas (de PNL) são de grande ajuda no meu dia-a-dia. Uma amiga me disse uma vez que se mais gente tivesse acesso a esse tipo de conhecimento, o mundo seria um lugar melhor. E acho que ela tem razão.”

‘Abandonei meu melhor amigo’

A história da terapeuta corporal Kátia Leopoldi é mais preocupante que a de Branca e Cordeiro. Aos 40 anos, Kátia teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), em decorrência do vício de fumar. Ainda assim, não conseguia largar o cigarro. “Fumei por longos 30 anos, e fumei muito. Durante todo este tempo jamais parei de fumar, nem um dia sequer: foram anos de dedicação entre nós. Comecei a fumar aos 14, em uma época que fumar era símbolo de charme e sensualidade, me inspirando na beleza apresentada pelas telenovelas que iniciei minha longa amizade com o cigarro. Estávamos sempre juntos e parecia que jamais iríamos nos separar”, diz.

Kátia conta que o cigarro era “seu melhor amigo”, mas após o AVC e uma série de circuns-tâncias pessoais que enfrentou, decidiu que era hora de abandoná-lo. Durante um curso de Practitioner, porém, percebeu que era mais que um vício: tratava-se de uma compulsão. “Quando chegamos a aula de mudança de comportamento, descobri que não era viciada e, sim, compulsiva ao cigarro. Sempre achei que era compulsiva a bolsas e blusinhas, nunca poderia imaginar isso: compulsão a cigarro. Segundo consta, compulsão é o ato de fazer algo e se sentir culpado logo em seguida. E era exatamente o que sentia em relação ao cigarro”.

Antes mesmo que Fernando Dalgalarrondo completasse a frase pedindo um voluntário, ela já levantou e passou a frente de todos pedindo para ser a “cobaia”. “Isso foi no dia 26 de janeiro de 2007, mais ou menos por volta das 16 horas, e até agora sinto tanto nojo de cigarros que chega a ser engraçado. Fiz apenas uma sessão de swish e, como disse o professor Dalgalarrondo no meio da sessão, eu já estava curada. Com apenas dois flashes eu já não conseguia mais ver a imagem pista, foi automático, eu só conseguia ver minha imagem limpa e brilhante da Kátia que eu queria me transformar, leve e serena, pois era assim que eu imaginava que seria, e é exatamente assim que me sinto hoje”, diz.

Kátia conta que, desde então, sequer pensou na possibilidade de voltar a fumar. “Sinto-me maravilhosa, minha pele esta cada dia mais iluminada, meus cabelos com um brilho diferente, as pessoas comentam que até minha voz mudou. Já arrisquei um cooper na pista da Lagoa do Taquaral, em Campinas, exercício que não praticava desde os 14 anos. Definitivamente minha vida mudou muito. Parei de fumar. Isso é fato.”

Apesar do sucesso de Kátia, Dalgalarrondo alerta que, no caso de compulsões como o cigarro, muitas vezes é necessário agregar ações ao swish. “Há casos em que deve-se trabalhar auto-imagem, é preciso fazer um histórico da pessoa, usar patches de nicotina para combater a dependência química. Mas isso depende da função que o cigarro tem na vida dela: às vezes a pessoa fuma como relaxamento ou 'forma de conversar', por exemplo”, diz. “Não é uma técnica que funciona em 100% dos casos. Mas é eficiente em 99% deles e, no um por cento em que não funciona, chega a perfeição se for aliada a outras ações contra a compulsão”, conclui. (colaborou Michela Yaeko)

Quadro: Como funciona o Swish
1. Com a ajuda de um especialista na técnica, o compulsivo identifica quais são as imagens mentais que geram a compulsão. “É o que chamamos de imagem pista. Por exemplo, a pessoa não está fumando, mas vê outra pegando um cigarro e essa imagem dispara nela a vontade de fumar. Ou alguém que não está com fome, mas quando vê uma determinada cor ou embalagem passa a sentir a vontade de comer chocolate”, exemplifica Fernando Dalgalarrondo.

2. Depois de identificar e fixar a imagem pista, o compulsivo cria uma outra imagem dele mesmo, mais criativa, em uma situação saudável.

3. A seguir, com os olhos fechados, ele monta um quadro em sua mente: a imagem pista é visualizada de forma grande e clara. Dentro dela, em um quadro menor (como naqueles televisores que permitem assistir dois canais ao mesmo tempo), ele visualiza a imagem saudável.

4. O especialista estala o dedo e, swish, o compulsivo faz a imagem grande diminuir e desaparecer em sua mente, e a pequena ficar grande e clara. Nesta primeira vez, a troca ocorre de maneira lenta e gradual.

5. O especialista faz com que o compulsivo repita o processo várias vezes, cada vez mais rapidamente, até que ele comece a funcionar inconscientemente.

6. A partir daí, a imagem pista passa a ser relacionada com um comportamento saudável e a compulsão some.

Observações:

- Fernando Dalgalarondo afirma que uma pessoa pode fazer o processo sozinha, mas só depois de ter aprendido com acompanhamento profissional, até porque em geral só com a ajuda de um especialista é possível identificar a imagem pista e saber o número de vezes que o swish deve ser repetido para gerar o comportamento inconsciente.

- Compulsões como o cigarro, por exemplo, na maioria das vezes exigem tratamentos associados, porque também são gerados por dependências químicas e não exclusivamente psicológicas.